Robocop Part. 2
Durante o seu ‘’calvário’’, em uma das cenas mais grotescas em um filme de ação (que NÃO conseguiu ficar datada até hoje), Alex perde uma das mãos (como Luke, em Star Wars) e sofre humilhação,
é alvejado por várias armas de fogo e ainda recebe um ‘’tiro de misericórdia’’, para que todos que estão assistindo, tenham a certeza de que ele foi assassinado.
E, quando usei o termo ‘’calvário’’, não foi de graça: Alex Murphy não apenas é o tipo de protagonista que passou por um morte simbólica ( em sua ‘’jornada de herói’’) como REALMENTE MORREU!
Passou por uma ‘’paixão’’ no sentido mais aberto que você possa imaginar e morreu pelos pecados da cidade de Detroit, fazendo um paralelo bem nítido entre o ‘’bom policial’’ e a figura de Jesus Cristo. Mas, como o Messias voltou da morte, o nosso Lázarus/Alex também retorna. A diferença marcante é que ele NÃO é um Ressurrecto:
ele NÃO é uma pessoa morta que voltou a vida pela Vontade Divina. Ele é um ‘’Undead’’ (‘’Desmorto’’) que retornou a vida graças a cibernética! E seu novo corpo, igualmente, NÃO é um presente de Deus, mas da OCP, uma megacorporação! A nova ‘’Roma’’ dos nossos dias.
Em momento algum foi mostrado Alex Murphy cometendo nenhum tipo de abuso como policial ou pai: ele tinha de ser um herói puro. O mais puro possível. Ele não era corrupto ou truculento e só usava a força necessária que a situação pedida. Ele chega até mesmo a dar ordem de prisão para um dos membros da gangue que perseguia, muito embora soubesse que era um elemento perigoso que o mataria na primeira oportunidade.
É possível até mesmo VER que Murphy se contém diante da adrenalina e do desejo, natural, de desprezar (e destruir) pessoas ruins, ainda mais que atentaram contra sua vida, minutos antes.
E este sentimento represado de ódio é o único ‘’pecado capital’’, do qual Murphy é permitido revelar diante dos telespectadores. Afinal, é o que alimentará sua vingança em seguida e o público pode ‘’perdoar’’, pois… é bem ‘’humano sentir isso’’.
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